Eleições 2026 · 1º turno · Cidade do Rio de Janeiro

Como votaram as áreas de milícia do Rio

O resultado mostra onde as pessoas votam; não mede o voto de milicianos nem pressão sobre eleitores.

Cruzamos o resultado de cada urna do TSE com as áreas sob controle ou influência de milícia no Mapa Histórico dos Grupos Armados. Nos locais de votação onde a maioria dos eleitores mora nessas áreas (aqui, locais de área de milícia), Flávio Bolsonaro venceu para presidente com vantagem maior que na cidade, e Eduardo Paes ficou à frente para governador, por margem menor. Dentro de cada região, porém, essa diferença some.

Presidente · locais de área de milícia
Flávio Bolsonaro à frente
Flávio Bolsonaro PL
53,0%
Lula PT
38,8%
Cidade inteiraFlávio 47,9% × Lula 43,9%
Mesmas regiões, fora dessas áreasFlávio 54,5% × Lula 37,3%

No estado: Flávio 53,0% × Lula 39,4%

Governador · locais de área de milícia
Eduardo Paes à frente
Eduardo Paes PSD
50,8%
Douglas Ruas PL
44,3%
Cidade inteiraPaes 53,5% × Ruas 40,8%
Mesmas regiões, fora dessas áreasPaes 48,3% × Ruas 46,3%

No estado: Douglas Ruas (PL), eleito no 1º turno

As áreas somam 169 km² em 83 bairros, onde moram, pela estimativa deste site, cerca de 1,4 milhão de pessoas. Dos 237 locais de área de milícia, 139 ficam na Zona Oeste, onde, em toda parte, Flávio vai melhor e Paes pior que na cidade. Dentro de cada região, Flávio tem nesses locais praticamente o mesmo resultado que nos demais, ou menos, e Paes, o mesmo ou mais (veja Depende da região). A votação de Flávio muda pouco quando o recorte fica mais estrito: 52,8% nos locais com 75% ou mais de eleitores de área de milícia e 52,3% nos de 90% ou mais (veja O resultado muda com o critério?).

Percentuais sobre os votos válidos (sem brancos e nulos) nos 237 locais de votação em que a maioria estimada dos eleitores mora em área sob controle ou influência de milícia (cerca de 820 mil eleitores, dos quais cerca de 630 mil moram nessas áreas: 56,1% dos eleitores de área de milícia da cidade); o voto é secreto e a urna não registra endereço, por isso o resultado é uma estimativa geográfica (veja como calculamos).

Depende da região #

Flávio Bolsonaro vence nos locais de área de milícia das três regiões que têm esses locais. Na Zona Norte e na Zona Oeste, ele tem nesses locais praticamente o mesmo resultado que no restante da região; em Barra e Jacarepaguá, 4,3 pontos a menos. O Centro e Zona Portuária, a Zona Sul e a Grande Tijuca não têm local de área de milícia e ficam fora dos quadros. Em cada região, a barra “Restante” reúne os demais locais de votação da região, inclusive os eleitores de área de milícia que votam em locais onde não são maioria.Eduardo Paes vence nos locais de área de milícia das três regiões que têm esses locais; na Zona Oeste, Douglas Ruas ganha no restante da região. Na Zona Norte, ele tem nesses locais praticamente o mesmo resultado que no restante da região; em Barra e Jacarepaguá, 3,6 pontos a mais; na Zona Oeste, 2,2 pontos a mais. O Centro e Zona Portuária, a Zona Sul e a Grande Tijuca não têm local de área de milícia e ficam fora dos quadros. Em cada região, a barra “Restante” reúne os demais locais de votação da região, inclusive os eleitores de área de milícia que votam em locais onde não são maioria.

Mapa #

O mapa mostra a área de milícia de cada bairro com a cor do candidato mais votado nos locais onde seus moradores votam ou, na outra opção, cada local de votação com a cor do mais votado ali. Toque numa área ou num local para ver o resultado.

Use dois dedos para mover o mapa.

Os mesmos dados em tabela ↓

Quem vota nos locais de área de milícia #

Perfil do eleitorado

Cadastro de eleitores do TSE: dados de quem está inscrito em cada urna, sem estimativa geográfica. *Renda e evangélicos: estimativas do Censo 2022 para o entorno de cada local.

O voto nesses locais é só escolaridade, renda ou religião?

Locais de área de milíciaDemais locaisCada ponto é um local de votação; o tamanho acompanha os votos válidos

Bairro por bairro #

Estimativa para a área de milícia de cada bairro, a partir dos locais de votação próximos que recebem seus moradores. Como esses locais também recebem eleitores de fora da área, o resultado tende a se aproximar do voto do entorno: serve para localizar e comparar áreas, não como medida exata do voto dos seus moradores (veja como calculamos). Por padrão, aparecem só as áreas de confiança média ou alta, cujos moradores votam sobretudo em locais de maioria de eleitores de área de milícia; a busca por nome encontra todas. Toque numa linha para ver os locais usados e localizar a área no mapa. A linha abaixo do nome diz quanto da área de milícia do bairro o mapa classifica como sob controle e quanto só como sob influência, e quantos moradores ela tem (estimativa). Os autores do mapa avisam que ele não serve de referência sobre o controle de cada território.

Bairro por bairro: o resultado estimado para presidente e governador; os botões do cabeçalho ordenam a tabela

O resultado muda com o critério? #

Percentuais sobre os votos válidos nos locais selecionados por cada critério. Escolha o cargo e a cidade inteira ou uma região.

Os números do topo também dependem de escolhas do modelo: a distância máxima entre a moradia e o local de votação (1, 2 ou 3 km) e o corte do recorte principal (45%, 50% ou 55% de eleitores de área de milícia no local). Nas 9 versões com essas combinações, Flávio Bolsonaro fica entre 53,0% e 53,8% nos locais de área de milícia, e Lula, entre 38,1% e 38,8%; para governador, Eduardo Paes fica entre 49,9% e 50,8%, e Douglas Ruas, entre 44,3% e 45,0%. Em todas, Flávio Bolsonaro e Eduardo Paes ficam à frente (veja o método).

Os critérios “X% ou mais de eleitores de área de milícia” usam só os locais em que a parcela estimada de eleitores de área de milícia atinge X%; os critérios por distância contam o local inteiro se ele estiver a até X metros do limite de uma área de milícia. “90% ou mais” é o recorte quase sem mistura com eleitores de fora das áreas de milícia. “Votantes” é o comparecimento para presidente nesses locais.

Comparecimento #

Como calculamos #

O TSE divulga os votos de cada seção eleitoral e o endereço de cada local de votação, mas não onde o eleitor mora. Por isso a análise estima de onde vêm os eleitores de cada local e, com isso, em quais locais a maioria mora em área de milícia. O que a página mostra é o voto real desses locais, e não o dos moradores dessas áreas, que é secreto.

1. Dados

Votos e comparecimento: votação por seção eleitoral do 1º turno de 2026 (presidente, governador, senador e deputados) e o detalhe dela (comparecimento, brancos e nulos), do Portal de Dados Abertos do TSE, gerados em 5 e 6 de outubro de 2026; quem é candidato e a situação de cada um vêm da totalização do TSE de 10 de outubro de 2026. Locais: eleitorado por local de votação 2026, do TSE, com as coordenadas de cada local. Um local de votação é o prédio onde se vota, geralmente uma escola, com várias seções, cada uma com sua urna; como as coordenadas são do prédio, a análise trabalha com locais. A cidade do Rio de Janeiro tem 1.450 locais e 12.635 seções.

Áreas de milícia: o Mapa Histórico dos Grupos Armados, do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da UFF (GENI/UFF) e do Instituto Fogo Cruzado, com dados de 2024. O mapa separa dois graus de domínio: controle, quando o grupo extrai recursos, impõe regras e se sustenta pela força, tudo ao mesmo tempo; e influência, um domínio parcial ou intermitente. Aqui contam os dois, quando o grupo é uma milícia: 114 km² sob controle e 55 km² só sob influência; áreas de outros grupos armados contam como fora. O mapa só é publicado como imagem: as áreas foram redesenhadas a partir dela, com cerca de 33 metros por pixel, e divididas pelos limites de bairro do IPP. A parte de um bairro com pelo menos 1 hectare delas é uma unidade; são 83, e 18 têm menos de mil moradores estimados e podem ser só erro de desenho na borda. Os autores avisam que o mapa não serve de referência sobre o controle de cada território.

Moradores: setores censitários do Censo 2022 (as pequenas áreas, de algumas centenas de domicílios, em que o IBGE divulga o Censo), com a população por faixa etária e a renda dos responsáveis pelos domicílios. Cada setor é dividido entre área de milícia e fora dela na proporção da área; por essa conta, cerca de 1,4 milhão de pessoas moram nas áreas de milícia (1,15 milhão com 16 anos ou mais), e 3,95 milhões com 16 anos ou mais moram fora delas.

2. De onde vêm os eleitores de cada local

Para estimar, a análise espalha os moradores em pontos no mapa e manda cada ponto votar no local mais próximo que ainda tenha vaga:

  1. Moradores de área de milícia. A área de milícia de cada bairro é preenchida com pontos a cada 20 m, entre os quais se divide a sua população de 16 anos ou mais (a proporção de adultos vem dos setores censitários cujo ponto interno cai na área; áreas sem nenhum usam a média das áreas).
  2. Moradores de fora das áreas. Cada setor censitário vira um ponto com a sua população de 16 anos ou mais; setores com mais de 0,25 km² viram uma grade de pontos a cada 250 m. A parte de cada setor dentro de uma área de milícia é descontada, na proporção da área, para ninguém ser contado duas vezes.
  3. Só quem pode votar. Nas áreas de milícia, 79,8% dos moradores têm 16 anos ou mais, contra 82,1% na cidade. A análise conta só quem tem 16 anos ou mais (da faixa de 15 a 19 anos do Censo entram quatro quintos; quando o IBGE oculta faixas de um setor pequeno, usam-se as disponíveis). Como há um pouco menos eleitores inscritos que pessoas de 16 anos ou mais, cada pessoa conta como 0,97 eleitor (a razão entre os dois na cidade inteira), e o total bate com o eleitorado do TSE.
  4. Distribuição com capacidade. Cada local recebe no máximo o seu eleitorado registrado no TSE. Cada morador vai para o local mais próximo com vaga; na disputa por um local, fica quem mora mais perto, e os demais seguem para o próximo com vaga. Ninguém vai a mais de 2 km: quem não acha vaga até essa distância, ou não a acha em doze rodadas, fica sem local e fora das estimativas. Isso acontece onde há mais moradores que eleitores inscritos por perto, como em bairros que cresceram depressa. Ficam nessa situação 18,1% dos eleitores de área de milícia. Entre as regiões com mais de 5 mil eleitores de área de milícia, a fração vai de menos de 1% na Zona Norte a 30% em Barra e Jacarepaguá.
  5. Parcela de área de milícia. É o número de eleitores de área de milícia que um local recebeu dividido pelo seu eleitorado.

3. Os números principais

O recorte principal são os 237 locais com parcela de área de milícia de pelo menos 50% (817.673 eleitores inscritos, morem ou não em área de milícia); para encurtar, a página os chama de locais de área de milícia. O site das regiões e dos bairros do Rio usa outro critério, o ponto do local no mapa dos grupos armados, e por isso tem outra lista de locais em área de milícia. Pelo ponto, são 300 locais: 185 deles estão também no recorte daqui, 115 só na lista de lá (nesses, a parcela estimada de eleitores de área de milícia tem mediana de 32%) e 52 só aqui. Pelos dois critérios, Flávio fica à frente com vantagem parecida: 53,5% a 38,4% pelo ponto e 53,0% a 38,8% pela moradia. Não há filtro pelo perfil do eleitorado: as áreas de milícia incluem bairros de classe média, e escolaridade alta num local não contradiz a estimativa.

Nos locais do recorte principal, cerca de 77% dos eleitores moram em área de milícia. Dos eleitores de área de milícia da cidade, 56,1% votam nesses locais e 25,8% em locais onde não são maioria; 18,1% ficam sem local a até 2 km. O restante da cidade ou da região é o conjunto dos demais locais de votação, com as áreas de outros grupos armados e as sem grupo. Não é a cidade sem as áreas de milícia: nele votam também os eleitores dessas áreas que não são maioria no seu local. A cidade inteira é o resultado oficial. Para presidente e governador, os percentuais são sobre os votos válidos, os dados a um candidato, sem brancos e nulos; para senador e deputados, a base está em “Senadores e deputados”. “Votantes” é o comparecimento para presidente.

Na tabela de critérios, o cálculo é refeito com recortes mais estritos (pelo menos 75% e 90% de eleitores de área de milícia), que misturam menos eleitores de fora, mas têm menos locais, e com um critério só geográfico: o local conta se estiver a até 50, 100 ou 200 metros de uma área de milícia. Esse critério mede outra coisa: um local na borda de uma área também atende quem mora fora dela. O texto do topo só diz que a votação sobe (ou cai) com a parcela quando cada recorte mais estrito fica pelo menos 2 pontos acima (ou abaixo) do anterior; senão, diz que ela muda pouco.

Os números principais dependem também de escolhas do modelo, e a página os refaz em 9 versões, todas as combinações de: a distância máxima entre a moradia e o local de votação, de 1, 2 ou 3 km (a página usa 2 km; com uma distância maior, mais moradores acham vaga, em locais mais longe, e a parcela de cada local muda); e o corte do recorte principal, de 45%, 50% ou 55% de eleitores de área de milícia no local (a página usa 50%). O recorte vai de 182 a 275 locais entre as versões. Os números de cada versão estão em versoes_modelo.csv; para cada local, em quantas versões ele entra no recorte e a parcela estimada mínima e máxima entre elas, em estabilidade_locais.csv (o balão do local, no mapa, diz em quantas versões ele entra). Dos 237 locais do recorte principal, 182 entram no recorte em todas as versões; fora dele, 38 entram em pelo menos uma.

4. Regiões

As regiões seguem as áreas de planejamento da Prefeitura, com a AP2 dividida em Zona Sul e Grande Tijuca: Centro e Zona Portuária (AP1), Zona Sul (AP2.1), Grande Tijuca (AP2.2), Zona Norte (AP3), Barra e Jacarepaguá (AP4) e Zona Oeste (AP5). Cada local é classificado pelo bairro oficial (limites do IPP) em que está. Em cada região, a barra “Área de milícia” usa os locais do recorte principal e a barra “Restante”, os demais locais da região; regiões sem nenhum desses locais ficam fora dos quadros.

5. Comparação com 2022

O 1º turno de 2022, para presidente, vem da mesma fonte do TSE (votação por seção e locais de votação de 2022). Cada local de 2022 é associado ao local de 2026 que recebeu pelo menos metade das suas seções; sem isso, ao de mesmo número de local no TSE a até 300 metros ou a um local no mesmo prédio (a até 30 metros). Como segue as seções, a associação às vezes liga um local de 2022 ao prédio para onde elas foram transferidas. Assim, 1.400 dos 1.401 locais de 2022 têm correspondente em 2026, e os do recorte principal que têm correspondente reúnem 95% do eleitorado do recorte. Os dois anos são somados nos mesmos locais de 2026 com correspondente (recorte principal, restante e regiões), e por isso o 2026 da comparação pode diferir um pouco do 2026 dos números principais; a cidade inteira é o resultado oficial de cada ano. O resultado de 2022 de cada área usa a mesma distribuição dos moradores de 2026 e só aparece quando os locais com correspondente recebem pelo menos 80% dos moradores que têm local. A comparação supõe que o eleitorado de cada local mudou pouco em quatro anos, o que não é exato: há mudanças de endereço, eleitores novos e seções redistribuídas. As áreas de milícia são as de 2024 nos dois anos.

Entre 2022 e 2026, algumas seções mudaram de local de votação. Como nos sites das regiões e dos bairros do Rio e dos distritos de São Paulo, a linha dos locais de área de milícia leva a marca ¹ quando há, entre eles, locais em que a razão entre o total de votos para presidente de 2026 e o de 2022 se afasta mais de 10% da razão da soma desses locais, para cima ou para baixo: são 69 dos 208 com correspondente. A nota da seção dá a variação sem eles.

6. Senadores e deputados

Para senador e deputados, a análise soma a votação por seção do 1º turno de 2026 nos mesmos locais do recorte principal. Os percentuais são sobre os votos válidos mais os de candidatos com o registro ainda em julgamento (sub judice), como no TSE: esses votos passam a válidos se o registro for confirmado e a nulos se for negado. Para deputado, a base inclui os votos de legenda, dados só ao número do partido; no Senado, cada eleitor votou em dois candidatos. A concentração de um candidato é a parte dos votos dele na cidade que veio desses locais, de quem vota neles, more ou não em área de milícia: como eles reúnem cerca de 16% desses votos da cidade, nos três cargos, um candidato acima disso tem, nesses locais, votação acima da média da cidade. Só contam os votos dados na cidade; senadores e deputados são eleitos com os do estado inteiro.

A tabela de deputados traz os eleitos e, entre os suplentes e os candidatos sub judice (marcados assim), os que tiveram mais votos no estado que o eleito menos votado, os que estão entre os 50 mais votados nos locais de área de milícia e os que têm neles votação acima da média da cidade (acima da base do cargo, com 5 mil votos ou mais na cidade). Os selos seguem a situação do TSE: “suplente” é quem não se elegeu, mas é de partido ou federação que ganhou cadeira no cargo, e fica na fila para assumir uma vaga dele; quem é de partido ou federação que não ganhou nenhuma cadeira fica sem selo (“não eleito”, para o TSE).

A concentração mostra sobretudo onde fica a base eleitoral de cada candidato: 139 dos 237 locais de área de milícia ficam na Zona Oeste, e quem tem votos ali concentra votos neles. Por isso a ordem Mais concentrados mostra sobretudo essa base, e não ligação com as áreas. A ordem Acima do entorno vai além dela e é uma associação entre lugares: mostra que a votação do candidato nessas áreas vai além da do entorno, não que ele tenha ligação com milícias; um candidato com base num lugar que é área de milícia aparece mesmo sem nenhuma relação com o grupo.

Ela compara, para cada candidato com 500 votos ou mais nesses locais, os votos dele neles com os esperados se esses locais votassem como os locais comuns (menos de 15% de eleitores de área de milícia) do mesmo bairro e da mesma condição de favela: os locais do recorte do site das favelas do Rio contam como favela, e os demais, como asfalto. Um local no mesmo prédio de um local de área de milícia nunca conta como comum. Onde há menos de 2 locais comuns ou menos de 2 mil votos neles, ou nenhum (como em Sepetiba e Itanhangá), a comparação usa os locais comuns da mesma condição a até 3 km; se nem assim, os da outra condição a até 3 km, com o voto ajustado pelo quanto o próprio candidato vai melhor nas favelas fora das áreas de milícia que no asfalto do mesmo bairro (o ajuste nunca supõe que ele vá pior lá que no asfalto): é o caso de locais em Curicica e Jacarepaguá. Assim, para deputado estadual, a comparação cobre 84% dos votos desses locais: 68% pelo próprio bairro, 8% pelos vizinhos da mesma condição e 8% pelos da outra; para deputado federal, também 84%, 63% pelo próprio bairro. Os locais sem comparação ficam fora da conta.

Entram os que têm pelo menos 1,5 vez o esperado e 500 votos a mais, com uma razão entre votos e esperados que é igualada ou superada em menos de 5% de 2.000 sorteios em que locais comuns, escolhidos ao acaso nos mesmos bairros, fazem o papel dos locais de área de milícia: assim, o resultado não é obra do acaso nem de pequenas diferenças entre lugares. Quem é forte em uma área só também entra: depois dos demais, vêm os que só passam em um bairro, com 3 vezes o esperado e 500 votos a mais ali, também acima dos sorteios. Entre os que passam pelo total, quando a razão cai abaixo de 1,2 vez sem o bairro com mais votos além do esperado, a tabela diz qual é esse bairro. Passam 10 dos 139 candidatos a deputado federal testados (7 pelo total e 3 em um bairro só), 16 dos 150 a deputado estadual (9 e 7) e nenhum ao Senado.

A conta só olha para cima, mas há candidatos bem abaixo do entorno em alguns bairros (por exemplo, Maré): pode ser território dividido entre grupos ou só a base de cada um, e, com poucos locais, a conta não separa as duas coisas.

Os locais comuns da comparação ficam perto das áreas de milícia: todo o eleitorado deles está a menos de 1,5 km de uma delas. Se a influência das milícias for além das áreas do mapa, esses vizinhos também a recebem, e a comparação não a enxerga.

Os cortes de “Acima do entorno” são escolhas, e outros valores mudariam a lista. Por isso a conta é refeita em 27 combinações: o local comum com menos de 10%, 15% (o da página) ou 25% de eleitores de área de milícia; a razão mínima de 1,3, 1,5 (a da página) ou 2 vezes o esperado (em um bairro só, 2,6, 3 ou 4 vezes, na mesma proporção); e o mínimo de 300, 500 (o da página) ou mil votos nos locais de área de milícia para entrar no teste (aqui não há o piso de votos na cidade). Cada corte de local comum refaz a comparação e os 2.000 sorteios, com a mesma semente. Na lista, cada candidato traz em quantas delas passaria: 5 dos 10 deputados federais da lista passam em todas, e o que menos passa fica em 12; 8 dos 16 deputados estaduais da lista passam em todas, e o que menos passa fica em 12. O p dos sorteios de cada candidato é (b + 1) ÷ (N + 1), em que b é o número de sorteios que igualam ou superam a razão dele e N, o número de sorteios: assim ele nunca é zero, e a lista é a mesma da conta b ÷ N. Como cada cargo testa muitos candidatos (139 a deputado federal e 150 a deputado estadual), alguns passariam do corte de 5% por acaso; com a correção para muitos testes de Benjamini–Hochberg, 20 dos 26 candidatos da lista continuam abaixo de 5% (7 dos 10 deputados federais e 13 dos 16 deputados estaduais). Para quem entra em um bairro só, o teste e a correção são os do bairro. O p e o q de cada testado estão em entorno_robustez.csv, com o número de combinações em que ele passa.

Na ordem Mais concentrados, o piso de 5 mil votos na cidade também é uma escolha: com 3 mil, entram candidatos menores; com 10 mil, saem os que têm de 5 a 10 mil. Entre os 10 primeiros de cada cargo de deputado, “também com 3 e 10 mil” marca quem continua entre os 10 primeiros com os dois outros pisos (“também com 3 mil” ou “também com 10 mil”, só com um deles): 3 dos 10 deputados federais e 3 dos 10 deputados estaduais continuam com os dois. As três listas estão em concentrados_robustez.csv.

7. Comparecimento

Abstenção, brancos e nulos vêm do detalhe da votação por seção, para presidente. A abstenção é a parcela dos eleitores aptos que não votou; brancos e nulos são parcelas de quem votou. Como o cadastro ainda inclui pessoas que se mudaram ou morreram, a abstenção medida é um pouco maior que a real em toda a cidade.

A tabela tem duas divisões. Na divisão Bairros, cada um dos 167 bairros oficiais da Prefeitura (limites do IPP) soma as seções dos locais de votação que ficam nele, pela posição do local no mapa, e cada região soma os seus bairros. 12 bairros não têm local de votação. Na divisão Área de milícia, as unidades são os 237 locais do recorte principal, e cada região soma os seus locais; a linha “Todos os 237 locais” soma todos eles. Um dos 237 locais não tem seção própria (a seção vota na urna de outro local, e os votos contam lá) e entra só na contagem de locais. Nas duas, a linha da cidade é o total de todas as seções, igual ao resultado oficial do TSE, e inclui as 4 seções cujo local fica fora dos limites dos bairros, que não entram em nenhum deles.

Nas faixas de renda, escolaridade ou religião, os bairros (ou os locais, na divisão Área de milícia) são ordenados pela medida e repartidos em cinco faixas com o mesmo número de eleitores aptos, cerca de 20% cada: a faixa se fecha na unidade em que o acumulado chega a 20%, 40%, 60% e 80% dos aptos, e uma unidade nunca se divide, por isso as faixas não ficam exatamente em 20%. O rótulo de cada faixa é o menor e o maior valor das unidades que caem nela. Unidades sem a medida ficam fora das faixas, e o texto diz quantas. A abstenção de cada faixa é a dos aptos das suas unidades somados.

Nos bairros, a renda é a média do rendimento mensal dos responsáveis pelos domicílios nos seus setores censitários (Censo 2022), sem os setores com renda sob sigilo ou sem rendimento informado nem os de renda extrema ou com erro de registro descritos em “Perfil do eleitorado, renda e religião”; cada setor vai para o bairro que contém o seu ponto central. A escolaridade (parcela das pessoas de 25 anos ou mais com ensino superior completo) e a religião (parcela das pessoas de 10 anos ou mais que se declararam evangélicas) vêm da amostra do Censo 2022, publicada por área de ponderação (regiões de cerca de 30 mil moradores). Uma área de ponderação às vezes junta bairros vizinhos (são 209 áreas na cidade, e as 119 que cruzam a divisa de dois bairros se repartem pela população de cada lado, o que dá a um bairro pequeno a média do vizinho maior); por isso essas duas medidas só entram onde pelo menos 80% da estimativa vem dos próprios moradores: em 80 dos 155 bairros com local de votação. Por virem de amostra, são estimativas. Nos locais, a renda e a religião são as do entorno, descritas no mesmo tópico, e não há escolaridade do Censo.

8. Resultado por bairro e mapa

O resultado da área de milícia de cada bairro é a média dos locais que receberam seus moradores, ponderada pelo número de moradores que cada um recebeu. Como esses locais também recebem eleitores de fora, o resultado de uma área pequena, ou cercada de áreas sem milícia, puxa para o voto dos vizinhos. Por isso cada área traz uma confiança: a parcela média de eleitores de área de milícia nos locais onde seus moradores votam, com o mesmo peso de cada local. Ela é alta com 60% ou mais, média de 40% a 60% e baixa abaixo de 40%. A confiança mede quanto os locais de votação desses moradores misturam eleitores de área de milícia e de fora, e não a precisão da estimativa: o resultado é sempre o voto desses locais, e não o dos moradores. A confiança também é baixa quando menos da metade dos moradores tem local com vaga a até 2 km; aí o resultado vale só para os que têm. A tabela mostra, de início, só as áreas de confiança média ou alta; no mapa, as de confiança baixa ficam em cinza. As de confiança baixa são 47 das 83 áreas com moradores, com 12% dos moradores de área de milícia. A busca encontra todas, tocar numa área no mapa mostra o resultado dela, e uma opção mostra as de confiança baixa na tabela e no mapa. O resultado de cada área serve para localizar e comparar áreas, não como medida exata do voto dos moradores.

9. Perfil do eleitorado, renda e religião

O TSE publica o perfil dos inscritos em cada seção (escolaridade, idade e sexo, entre outros): é dado do cadastro, sem estimativa geográfica. Cor/raça e identidade de gênero ainda faltam para mais de 80% dos eleitores e não foram usadas. A renda do entorno de um local é a renda média dos responsáveis pelos domicílios (Censo 2022) nos setores de onde vêm seus eleitores, segundo a distribuição, e por isso é uma estimativa geográfica. Ficam de fora os 18 setores da cidade em que a renda média passa de seis vezes a mediana, porque neles uma renda declarada extrema puxa a média para cima, e os 2 em que a mediana é de R$ 100, um erro de registro que puxa a média para baixo. Nos locais do recorte principal, ela é de R$ 2.571; na cidade inteira, de R$ 4.315, a média de todos os setores pela população de 16 anos ou mais, tirada direto do Censo, sem a distribuição (por isso é a mesma do site das favelas do Rio). A religião do entorno segue o mesmo caminho: cada morador recebe a fração de evangélicos da sua área de ponderação do Censo 2022 (regiões de cerca de 30 mil moradores: a religião só é perguntada na amostra do Censo, publicada para áreas desse tamanho), e cada local fica com a média de quem vota nele. No recorte principal, 33% das pessoas de 10 anos ou mais são evangélicas, contra 25% na cidade inteira, pela mesma conta da renda.

Esses dados servem para descrever quem vota nos locais de área de milícia e para comparar esses locais com os demais locais que têm escolaridade, renda ou religião parecida, para ver se o voto neles é só reflexo delas: o gráfico mostra cada local, e a tabela, as faixas. Em cada faixa, dois testes de acaso sorteiam 2.000 vezes quais locais da faixa contam como do recorte: um entre todos os locais da faixa, na cidade, e outro trocando os rótulos só entre locais da mesma região (cada região fica com o seu número de locais do recorte), para que uma diferença que vem só de onde os locais ficam não passe por diferença do recorte. A diferença de um candidato fica em negrito quando, nos dois testes, os sorteios chegam a ela em menos de 5% das vezes. O teste olha um lado só (a diferença a favor do candidato) e não corrige as muitas comparações: com o corte de 5%, cerca de uma célula em vinte pode ficar em negrito por acaso. Ele também trata os locais de uma região como intercambiáveis, embora locais vizinhos votem parecido, e compara uma variável por vez. A diferença mostrada na célula é a de todos os locais da faixa, das regiões juntas. No gráfico, cada ponto é um local de votação; ficam de fora os locais sem votos válidos e os sem o dado da variável. A comparação usa faixas da fração sem fundamental completo, da renda do entorno ou da fração de evangélicos do entorno; faixas com menos de 5 locais de área de milícia ficam sem comparação. Ela junta as regiões, e a maior parte desses locais fica na Zona Oeste: a comparação fala sobretudo dessa região. A religião entra mesmo acompanhando a renda (correlação de −0,76 com o logaritmo da renda, entre os locais, ponderada pelo eleitorado), porque, no Rio, ela pesa no voto também entre locais de mesma renda.

Como a tabela compara uma variável por vez, a frase abaixo dela junta tudo: é uma regressão do percentual do candidato que lidera o recorte (sobre os votos válidos de cada local) na parcela estimada de eleitores de área de milícia, com a fração sem fundamental completo, o logaritmo da renda do entorno, a fração de evangélicos do entorno e a região, ponderada pelos votos válidos do local. O número mostrado é a diferença entre um local sem eleitores de área de milícia e um só com eles, e o intervalo é o de 95%, com o erro-padrão agrupado por bairro, porque locais do mesmo bairro votam parecido (1.444 locais em 155 bairros). Para presidente, só com a parcela, a diferença é de +11,6 pontos para Flávio Bolsonaro; com as outras medidas e a região, de −1,2 (de −3,2 a +0,7). É uma associação entre lugares: não mede o voto de pessoas nem diz a causa.

10. Conferência

A soma de todas as seções da cidade bate, candidato a candidato e voto a voto, com o total oficial do município (3.471.874 votos nominais, os dados a candidatos, para presidente e 3.235.174 para governador). Para senador e deputados, a soma por candidato também confere voto a voto com o total do município. A soma das seções de 2022 confere com o total oficial, candidato a candidato; votos de candidaturas canceladas antes da eleição contam como nulos, como no resultado oficial. O resultado de presidente no estado do Rio de Janeiro, na linha “No estado” do cartão, soma os municípios do estado na votação por município e zona do TSE (9.369.700 votos válidos) e confere, candidato a candidato, com a soma das seções do estado.

11. Garotinho

Os 60.118 votos em Anthony Garotinho (REPUBLICANOS) na cidade, 10.504 deles nos locais do recorte principal, contam como nulos, como na totalização do TSE de 10 de outubro, em que ele não está entre os candidatos; antes dela, apareciam como anulados sub judice, na base dos percentuais de governador. Com essa totalização, Douglas Ruas aparece eleito no 1º turno no estado, com 50,88%. Decisões judiciais podem mudar isso.

12. Limitações

É uma inferência ecológica, feita a partir de lugares, e não de pessoas: o voto é secreto, e o resultado de um local mistura moradores de área de milícia e vizinhos. A distribuição supõe que cada eleitor vota perto de casa, mas muita gente vota longe, porque não transferiu o título ao mudar de endereço. As áreas são as de 2024, lidas de imagens, e o domínio dos grupos muda com o tempo; dentro de cada setor, a população é suposta espalhada por igual. Idade, renda e religião são as do Censo de 2022, e a razão entre eleitores e população de 16 anos ou mais é a mesma em toda a cidade, embora a inscrição varie de bairro para bairro. Todos com 16 anos ou mais contam igualmente, embora só cerca de 15% dos jovens de 16 e 17 anos estejam inscritos, o que pode superestimar um pouco os eleitores das áreas com mais jovens. As coordenadas do TSE têm imprecisões pontuais.